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30/03/2013

Contratação de "fumacê" no combate a mosquitos

Por Danilo Roriz
 
Uso isolado da técnica na maioria das vezes não resolve
 
Um terrível incômodo, sem contar com os riscos de contrair a dengue e outras doenças, é a presença de mosquitos no condomínio. Diante da cobrança dos condôminos e da ausência de ações dos órgãos públicos, o gestor muitas vezes contrata empresas para “bater o fumacê”, na esperança de amenizar o inconveniente.   A partir desse momento, os administradores menos informados passam a ter mais problemas quando o serviço não apresenta os resultados esperados, pois, parte dos condôminos é contra, devido à exposição de pessoas a inseticidas que engrossam o coro “pró-fumacê” cobram revisões da empresa desinsetizadora  para equacionar o problema, uma vez que pagaram para a solução.
 
Em primeiro lugar o síndico deve saber que a forma voadora desses insetos é apenas uma das fases do ciclo e que a água parada é a principal causadora da infestação no edifício, portanto, a busca por criatórios deve ser a fundamental medida no controle da infestação. Então se o foco proliferador estiver no prédio ao lado, de nada adiantará o fumacê no local.  As fases do ovo, larva e da pupa (pré-nascimento) não são afetados pelo fumacê, necessitando os criatórios de tratamento com produtos larvicidas, no caso de tanques, ou de serem descartados ou preenchidos para não mais acumularem água. Dessa maneira, a união e troca de informação entre síndicos e administradores de edificações vizinhas, assim como a presença de um técnico especializado de instituição pública ou de empresa controladora, deve ser sempre a primeira e essencial medida no sentido de controlar o problema. 
 
A população de maneira geral supervaloriza as ações do fumacê, negligenciando as ações de rotina, como evitar o acúmulo de água parada em qualquer recipiente e facilitar a entrada do agente de saúde. Pesquisas já comprovaram que em recipientes secos que abrigam ovos depositados pela fêmea do Aedes, quando novamente enchidos com água, podem desencadear novo criatório após vários meses ou mais de um ano sem água.
 
O administrador deve estar atento a outro importante ponto: a utilização do equipamento fumacê do tipo FOG adotado por várias empresas, não é a técnica mais eficaz. Estudo da Organização Panamericana de Saúde comprovou que o aparelho do tipo UBV é muito mais eficaz no combate aos mosquitos pernilongos e do Aedes, fato este que abalizou as instituições públicas de controle a abolirem o FOG.
 
Em suma, quando pensar em contratar uma empresa para amenizar uma infestação de muriçocas em um condomínio, o contratante deve seguir os seguintes passos: certificar que no condomínio não há foco em água parada, contatar os vizinhos para ações conjuntas e levantamento de informações, acionar a autoridade pública para inspeção na área, solicitar das empresas a serem contratadas que enviem um profissional de formação compatível para apresentar a técnica a ser aplicada e observar se a empresa controladora possui alvará sanitário e está quite com a autoridade sanitária do município. Tomando essas medidas consegue-se um resultado melhor nessa luta, onde até agora o mosquito tem vencido.
 
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Danilo Roriz (médico veterinário CRMV BA 2262) - Especializado em controle de pragas urbanas. responsável técnico e consultor de empresas de controle de pragas urbanas, atuou no Centro de Controle de Zoonoses de Salvador por oito anos, onde coordenou o Programa de Controle de Roedores. Tel. (71) 9127-9516. danilofreireroriz@yahoo.com.br


 
 

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