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Gastos no condomínio



MOMENTO É DE CORTE E CONTENÇÃO DA INADIMPLÊNCIA

A economia brasileira se encontra em um cenário de inflação alta, o que encarece bens e serviços. Aumentos na conta de luz, água e esgoto, além de elevação na taxa de juros e no preço de produtos e serviços básicos, fazem com que o consumidor priorize as contas que irá pagar. Nos condomínios, o reflexo da crise econômica é percebido com o aumento da taxa de inadimplência. 

O Banco Central elevou a taxa de juros para 14,25%, o que acarreta no encarecimento do crédito na economia e, consequentemente, aumento da inadimplência. “O governo reduziu significativamente as metas de superávit primário (de 1,1% para 0,15% do PIB) o que evidencia o impacto da queda na atividade econômica, na arrecadação e as dificuldades de implementação do ajuste fiscal. Diante deste cenário de retração, a confiança dos empresários e consumidores permaneceu baixa e a taxa de desemprego em alta”, informou o economista Alexandre Rodrigues.

De acordo com o economista, diante deste cenário, os condomínios são afetados, pois o principal vilão da inflação é a conta de energia, que ficou 4,17% mais cara em julho, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  As contas de água e esgoto também subiram e ficaram, em média, 2,44% mais caras e houve aumento das passagens de ônibus, o que tornou o custo do funcionário mais caro também. Outra consequência foi o aumento dos serviços, como os contratos de manutenção e seguros. 

Há também um aumento da inadimplência das taxas condominiais, pois a multa por atraso é de 2% independente do período e há juros de 1% ao mês. “Com isso, a maioria das pessoas prioriza o pagamento de dívidas com juros maiores e consequências mais imediatas, como a do cartão de crédito, cuja taxa foi de 12, 54% no mês de julho e 312, 75% ao ano, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Cabe ressaltar, que essa taxa do cartão de crédito é a maior desde março/1999”, alerta Alexandre.

Diante dos fatos supracitados, as despesas do condomínio ficam mais caras e o síndico precisa aumentar a receita do condômino e cortar gastos. A síndica do Edíficio Atlântida, Edna Nunes, informou que a crise vem comprometendo consideravelmente o pagamento em dia. “Neste momento, aproveito para reduzir despesas gerais do condomínio. Evito atrasos nos pagamentos de contas para não gerar cobranças de multas e juros, realizo pesquisas de preços para aquisição de qualquer material, inclusive limpeza; evito contratações e demissões com frequência, evitando despesas rescisórias; realizo inspeção técnica para identificar vazamentos e desperdício de água nas unidades; instalei válvula retentora de ar após o hidrômetro, o que reduziu o valor da conta em 40%; alterei a manutenção da jardinagem para meses alternados; negociei com empresas contratadas de manutenção, para reduzir o valor da prestação de serviços; instrui os empregados a desligarem as lâmpadas de ambientes não ocupados; substitui lâmpadas comuns por outras tipo Led e instalei sensores de presença no hall e na escada”, informou Edna. 

A maior consequência de quem deixa de pagar o condomínio é a possibilidade de ter o imóvel penhorado por conta da dívida, mesmo que seja único bem de família. “Neste momento, o juiz determina ao Réu que efetue o pagamento da dívida. Após o trânsito em julgado da decisão, caso a parte acionada não efetue o pagamento da dívida, inicia-se a fase de execução, com um acréscimo de 10% referente a multa por não ter havido o cumprimento voluntário da sentença. A partir daí o juiz determina o bloqueio das contas bancárias e/ou realiza penhora de veículos que esteja em nome do Réu. Caso todas essas tentativas sejam infrutíferas, o juiz determina a expedição de mandado de penhora e avaliação da unidade”, disse a advogada Ionara Ribeiro. 

“A lei 8.009/1990 determina a impenhorabilidade do bem de família, exceto por dívida de taxas condominiais e IPTU do próprio imóvel, entre outros assuntos”, alerta a advogada e administradora de condomínios da Adcon, Rosemar Smera.

Com isso, a melhor medida, é buscar formas de conter os gastos nos condomínios e evitar um aumento de taxa condominial, que pode levar a inadimplência e suas consequências.

Veja o que fazer com as dicas do economista Alexandre Rodrigues

• Reduza a hora extra dos funcionários. Se o zelador, que tem o maior salário do condomínio, faz hora extra na portaria com frequência, contrate um folguista, cujo salário é menor. E ao contratar um folguista, prefira um que more próximo ao empreendimento, para evitar pagamento de vale-transporte. 

• Economize energia. Programe os elevadores e instale sensor de presença.

• Estimule a economia de água. Verifique vazamentos, instale redutores de vazão e reaproveite água da chuva. Se for possível, faça a instalação de hidrômetros individuais, pois pode representar uma economia de 20%.

• Realize manutenções preventivas. Isso evita um grande custo com obras.

• Renegocie contrato com fornecedores, pedindo descontos.

• Combata a inadimplência. Tente fazer um acordo com os inadimplentes, e caso contrário, entre com processo judicial de cobrança.

• Exerça uma gestão responsável, sem atrasos de cotas e pagamento de multa e juros.

• Estimule os condôminos a participarem da gestão do condomínio.

• Tome medidas inteligentes para uma gestão mais eficiente do orçamento.




 
Carla Brayner, 15.SETEMBRO.2015 | Postado em Economia
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