O ministro do Trabalho e do Emprego, Luiz Marinho, afirmou que o governo pode enviar ao Congresso Nacional, em regime de urgência, um projeto de lei para extinguir a jornada 6 por 1, caso avalie que o tema não esteja avançando na “velocidade desejada” nas propostas atualmente em análise pelo Legislativo.
No âmbito do setor condominial, que reúne milhões de unidades residenciais e comerciais no país, esses efeitos tendem a ser diretos e imediatos, fala o presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), Omar Anauate. “A agenda é legítima sob a ótica social: promover maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal e reduzir o desgaste físico e mental do trabalhador. No entanto, alterações estruturais nas regras de jornada produzem efeitos econômicos sistêmicos”, pontua.
Anauate explica que, diferentemente de empresas que operam com margem de lucro e podem absorver temporariamente parte dos aumentos de custo, o condomínio funciona por rateio. “Não há geração de resultado financeiro. Toda despesa é automaticamente refletida na cota condominial”, diz.
Omar Anauate
Presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC)
De acordo com o presidente da AABIC, a mão de obra representa, em média, entre 55% e 60% do orçamento mensal dos condomínios com equipe própria. Em empreendimentos com portaria presencial 24 horas, a necessidade de cobertura de 168 horas semanais é permanente. “Se a carga horária individual máxima for reduzida ou se a escala 6x1 for extinta, a consequência matemática é a ampliação do quadro de funcionários para manter o mesmo nível de serviço”, ressalta.
Considerando a estrutura típica de custos, análises técnicas do setor indicam que o impacto total no orçamento condominial pode alcançar até 15%, especialmente nos empreendimentos que operam com equipe própria e estrutura enxuta.
Nos empreendimentos que operam com contratos terceirizados, o impacto também será inevitável, segundo Anauate. “As empresas prestadoras de serviço terão de readequar suas escalas e estruturas operacionais, repassando os reajustes aos contratos vigentes. A variação dependerá do modelo de jornada adotado, da convenção coletiva aplicável e da necessidade de ampliação de quadro para cobertura de postos ininterruptos”, observa.
Além dos impactos diretos, a extinção da escala 6x1 tende a produzir mudanças estruturais importantes na forma na organização interna dos condomínios, analisa Anauate.
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